Arqueólogo cervejeiro revela cultura de civilizações antigas

Diga-me o que tu bebes e te direi quem és. Ou, mais especificamente, um arqueólogo de cervejas te dirá. Por mais improvável que pareça, essa profissão existe na vida real. E é isso que faz o mestre cervejeiro e professor da Universidade do Colorado (EUA), Travis Rupp, cujo trabalho consiste em recriar (e beber) receitas milenares da bebida fermentada.

A pesquisa é coisa séria. Para o professor, a melhor forma de trazer as civilizações antigas de volta à vida é por meio de um bom gole. “Eu acredito que a cerveja é uma lente incrível para se observar a história e a cultura através do tempo. A bebida é algo que une pessoas – de 8500 a.c. até os dias de hoje”, afirma Travis.

Ele trabalha em uma equipe de projetos especiais na empresa Avery Brewing que tem a missão de preparar cervejas da maneira que egípcios, peruanos e vikings, por exemplo, faziam na Antiguidade. O foco da pesquisa são as pessoas comuns – esqueça a elite aristocrática e a realeza, o que interessa ao grupo de pesquisa é entender o que gente como a gente beberia em um boteco mil anos atrás.

Nos tempos antigos, a cerveja era fabricada em panelas de barro, não passava por processo de carbonatação e o teor alcoólico da bebida era mais baixo. Apesar de usar equipamentos modernos para produzir a cerveja, todo o processo é pensado minuciosamente para se aproximar ao máximo daquele usado antigamente. O mesmo vale para os ingredientes que compõem a receita – que, muitas vezes, incluem alguns elementos inusitados, como fermento, bagas de zimbro e artemísia.

A parte mais desafiadora do processo é determinar o passo a passo original e como reproduzir da maneira mais fiel possível o processo de feitura usado na Antiguidade. Antes de recriar uma nova mistura, Travis passa cerca de quatro meses pesquisando a civilização antiga da vez para entender como a bebida seria preparada naquele contexto. Depois de muitos experimentos, é só encher a caneca.

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